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Estudo revela como medo da violência limita rotina de mulheres no RJ
Elas mudam trajetos e abrem mão de atividades de trabalho e de lazer
Radioagência Nacional - Por Solimar Luz
Publicado em 06/10/2026 15:55
Segurança
© Fernando Frazão/Agência Brasil

O medo da violência tem levado mulheres da Região Metropolitana do Rio de Janeiro a mudar trajetos, evitar determinados horários e até abrir mão de atividades como trabalho e lazer.

É o que revela a pesquisa “Rotina Calculada”, realizada pela ONG Movimentos, em parceria com o Instituto Fogo Cruzado e o Instituto Update. O estudo reúne relatos de 20 mulheres — com recortes de cor, raça, situação econômica, social e moradia — para entender como a insegurança limita o direito de ir e vir e interfere nas escolhas cotidianas.

De acordo com o levantamento, a insegurança afeta mulheres de diferentes perfis, mas os recursos disponíveis para lidar com o medo variam conforme as condições econômicas e o local onde residem.

A análise indica que o fator financeiro determina o nível de exposição ao risco. Mulheres com renda maior relatam o uso de alternativas de segurança, como corridas por aplicativos, táxis ou hospedagens.

Para as mulheres com menor poder aquisitivo, os depoimentos apontam uma dinâmica diferente. O preço das passagens impede a escolha de trajetos alternativos, o que leva esse grupo a caminhar por vias, muitas vezes, sem iluminação ou a recusar vagas de emprego devido aos riscos do trajeto, segundo a coordenadora de comunicação da ONG Movimentos, Isabelly Damasceno.

As relações pessoais também aparecem como parte das estratégias de segurança. Homens desconhecidos são apontados como fonte de medo, explica Isabelly.

Os homens desconhecidos são o principal fator de medo para elas. Mas os homens conhecidos, os homens do círculo social dessas mulheres, eles acabam virando uma espécie de escudo, por exemplo, para voltar mais tarde para casa, para pegar no ponto de ônibus. Então, o problema nem sempre para essas mulheres é estar sozinha. Mas sozinha essas mulheres se sentem sim mais expostas ao risco, mas também não é confortável que elas sempre dependam de um homem conhecido ou de uma outra rede de apoio para sustentar essa sensação de segurança na cidade."

Dentro desse mapeamento, as vivências de mulheres trans mostram como a transfobia se soma à violência cotidiana, destaca a coordenadora da Movimentos.

"As mulheres já deixam de fazer atividades de lazer, não somente em locais públicos, mas também dentro de espaços como a academia. Uma das entrevistadas apontou para a gente que nunca houve a possibilidade de fazer um exercício físico dentro de uma academia pelo medo de sofrer a transfobia. Então, a gente entende e a gente defende, né, que a segurança pública precisa não só reduzir os índices de violência, mas também todos esses cálculos que essas mulheres precisam fazer para ter o direito à cidade e à livre circulação."

O levantamento aponta que a insegurança interfere na rotina das mulheres, afetando desde os horários de saída de casa até a escolha das roupas utilizadas.

Diante desse cenário, o estudo sugere que essas dinâmicas de sobrevivência sejam integradas aos dados oficiais, permitindo a criação de políticas públicas de segurança direcionadas à população feminina.

A pesquisa completa está disponível no endereço: movimentos.org.br.

Fonte: Radioagência Nacional
Esta notícia foi publicada respeitando as políticas de reprodução da Radioagência Nacional.
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